IAB Campinas

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16
nov

Viagem pelos trilhos da lembrança

Por Jaqueline Harumi
Fotos JanaínaRibeiro

Modal ferroviário atualmente ficou reduzido ao transporte de cargas

Modal ferroviário atualmente ficou reduzido ao transporte de cargas

As histórias por trás das ferrovias da região de Campinas começam a ser eternizadas pela Coordenadoria da Estação Cultura e pela Associação da Preservação da Memória da Companhia Paulista (APMCP), que juntas organizam o oitavo volume do livro Meu Pai Foi Ferroviário, com relatos de profissionais da área e familiares para publicação no ano que vem. O primeiro volume foi publicado em 2006 em Jundiaí pelo administrador de empresas Eusébio Pereira dos Santos, que foi gerente de treinamento de Ferrovia Paulista SA (Fepasa) por dez anos e um dos fundadores da APMCP, que existe desde 2000. Desde então, foram relatadas aproximadamente 420 histórias, inclusive além das fronteiras brasileiras.

A edição campineira começou a ser desenvolvida em maio e até agora os pesquisados da Coordenadoria da Estação realizaram ao menos 20 entrevistas com ferroviários ou familiares, que relataram histórias do trabalho e convívio nas estações, companhias, linhas e vagões das ferrovias que passam ou passaram por Campinas.
No entanto, a meta é conquistar outros 40 entrevistados a tempo de publicar o livro no Dia do Ferroviário, comemorado em 30 de abril. “Não precisa ser pai, pode ser parente. A ideia é trabalhar a memória afetiva”, frisa a coordenadora da Estação Cultura, Maria Cecília Campos, que espera receber também curiosidades, causos, episódios engraçados, amorosos e sentimentais.
Segundo o engenheiro civil Foster Moz, que atua na manutenção da Coordenadoria da Estação há 13 anos, o foco do oitavo volume está nas três ferrovias que cortavam a região: a Sorocabana (1870-1997), que ligava São Paulo, Ourinhos até Presidente Epitácio; a Paulista (1872-2001), que passava por Jundiaí, Americana, Limeira e Itirapina, onde havia bifurcação, pegando São Carlos, Araraquara até Santa Fé do Sul e Jaú, Pederneiras e Panorama; e a Mogiana (1874-1997), que abrangia Campinas, Jaguariúna, Mogi Mirim, Aguaí, Ribeirão Preto e o Triângulo Mineiro, até Brasília.
O idealizador do projeto está satisfeito com o desdobramento em Campinas e já tem planos para Sorocaba e até mesmo um documentário. “Tenho uns 500 pedidos esperando para serem publicados”, completa Santos.
Projeto tenta reviver época em que as ferrovias eram protagonistas do transporte entre cidades no Estado

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Como participar
Quem tem algum familiar ferroviário e pode colaborar com o projeto pode marcar uma entrevista na Estação Cultura e a partir dessa conversa a equipe elaborará o texto em conjunto com o participante ou enviar um texto de até três páginas com a história que passará por adequação dos organizadores. Caso prefira a segunda opção, o autor do texto precisa abordar a trajetória, a profissão, as lembranças e como as ferrovias marcaram e atuavam no cotidiano das pessoas. A equipe da Estação pede também uma foto da pessoa homenageada, se possível em alguma situação relatada.
O contato pode ser feito pessoalmente ou por telefone na Estação, de segunda a sexta-feira das 8h às 12h e das 13h30 às 18h. O estacionamento fica na Rua Francisco Teodoro, 1.050, na Vila Industrial, e as ligações podem ser feitas nos números (19) 3705-8004, 3705-8028 ou 3705-8027, com Luiz Eduardo ou Foster.
Outra possibilidade é envio de e-mail para meupaiferroviario@gmail.com ou correspondência para a Estação – Praça Marechal Floriano Peixoto, s/nº, CEP 13013-120, Campinas-SP. Nestes dois casos, é preciso deixar os contatos pessoais (e-mail, telefone, endereço) e uma autorização de uso, revisão e alteração do material desde que justificada pelos organizadores ao autor da história, visto que o processo de formatação do livro pode exigir algumas mudanças. Os organizadores também pedem material fotográfico, que será copiado e devolvido, pois fará parte do acervo da APMCP e uma fotografia será selecionada e editada junto com a história.