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28
jan

Urbanismo – Campinas precisa de plano de longo prazo

O Arquiteto Alan Cury, presidente do Núcleo Regional Campinas do Instituto de Arquitetos do Brasil foi ouvido pela reportagem do Jornal Correio Popular de Campinas para falar sobre o planejamento urbano da cidade de Campinas em matéria publicada no último domingo dia 28 de Janeiro de 2013.

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Planejamento é atividade constante

[quote style=”1″]Planejamento Urbano é o plano de ações baseadas em diagnósticos em que se articulam agentes para uma evolução ordenada. Essa forma é eficaz para assumir decisões cronológicas que antevejam os anseios da urbe. Campinas está alheia a isso. Sua Lei de Uso do Solo completa 25 anos e assume zoneamento comprovadamente falho. Soma-se a excessiva biblioteca jurídica (leis, decretos, resoluções) de interpretação variável, e o resultado é conhecido: uso e ocupação irregulares por toda a cidade. Devemos promover intercâmbios com cidades que estão caminhando positivamente nesse cenário. Bons exemplos advêm das urbes que assumiram sua agência de planejamento independentemente do contingente eleitoral. Planejamento urbano é uma atividade constante e perene. Determina-se seu começo, jamais seu final.[/quote] [spacer size=”10″]

Acompanhe a Matéria completa publicada no Jornal Correio Popular:

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Campinas precisa de plano de longo prazo

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Maria Teresa Costa
DA AGÊNCIA ANHANGUERA
teresa@rac.com.br

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O setor da construção civil quer que o poder público deixe de vir a reboque do crescimento da cidade, regularizando o que foi construído de maneira errada ou tolerando usos e ocupações irregulares pela impossibilidade de planejar e fiscalizar. O poder público, diz o setor, tem que estar anos à frente dos problemas, com uma visão de futuro que ultrapasse os quatro anos de mandato político, e que possa, desde já, preparar a cidade para um horizonte de 40 anos, 50 anos. O prefeito Jonas Donizette (PSB) quer criar um Instituto de Planejamento para pensar e definir diretrizes para o futuro de Campinas.

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Sistema viário e meio ambiente, áreas que orientam crescimento

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O engenheiro Augusto Barros Pimentel, ex-secretário de Obras de Campinas e que integra o recém-formado Grupo Pró-Urbe (GPU), disse que, quando se trata de sistema viário, por exemplo, o horizonte deve ser de 50 anos, como ocorre quando as estradas são projetadas. “Você não implanta uma estrada com três, quatro faixas, mas reserva uma área de 50 metros ao longo das vias para futuras ampliações. Hoje, a implantação de novas pistas nas rodovias Anhanguera, D. Pedro estão ocorrendo nessas faixas de domínio, o que reduziu muito os custos de desapropriações”, comparou.

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O meio ambiente e o sistema viário são duas grandes áreas, segundo o GPU, em que é preciso “pensar para frente, sabendo que os eixos que orientam o crescimento de uma cidade devem ser estabelecidos não com anos, mas com décadas de antecedência”. Campinas tem pelo menos dois bons exemplos de planejamento, segundo Pimentel. As avenidas Aquidabã e Suleste. A Suleste, disse, foi projetada em 1971, no governo do prefeito Rui Novaes, e embora não tenha sido concluída — ela iria se ligar à Avenida Aquidabã —, somente agora está operando em todo seu potencial. “Em alguns momentos ela tem pontos de congestionamentos, mas é uma avenida que foi pensada com 40 anos de horizonte. O mesmo ocorreu com a Aquidabã”, informou.

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Pimentel disse que, quando foi remodelada a Avenida Norte-Sul, a Prefeitura aumentou de um para três o índice de aproveitamento dos terrenos da via. Ele sugeriu que, uma vez que os proprietários iriam ganhar esse presente — passaram a poder construir três vezes a área do terreno—então que as novas edificações obedecessem a um recuo para futuro alargamento da avenida. “Na época, l disseram que seria uma obra faraônica e veja hoje como está a Norte-Sul, sem possibilidades de ampliação”, afirmou.

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O arquiteto Josias Mendonça de Oliveira disse que as cidades de modo geral são pensadas em um horizonte de apenas quatro anos e por isso o desenvolvimento urbano vai ocorrendo sem qualquer planejamento. “O poder público vem atrás funcionando como bombeiro, apagando os incêndios dos usos e ocupações irregulares. Precisamos de um plano urbanístico que não se extinga em quatro anos, mas que tenha um horizonte de 50 anos, porque, caso contrário, será impossível viver em Campinas em pouco tempo”, afirmou. Oliveira lembrou que as distâncias em Campinas não estão mais sendo medidas em quilômetros, mas em horas. “Hoje você não pergunta mais qual a distância, por exemplo, do Centro a Viracopos. A gente pergunta quanto tempo se leva para fazer o trajeto, porque certamente vamos ficar parados na avenida Prestes Maia ou na Rodovia Santos Dumont. Isso é falta de planejamento de longo prazo”, afirmou.

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Prefeito defende gestão urbana com participação

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O prefeito Jonas Donizette quer elaborar um plano estratégico para Campinas, como base “na cidade que a cidade quer”. Esse plano, segundo ele, estará subordinado à política ambiental do município e será uma das tarefas do Instituto de Planejamento a ser criado. Jonas quer que ele tenha como ponto de partida o conjunto dos planos locais das macrozonas, a ampla participação de entidades e o necessário suporte técnico, para serem estabelecidos os eixos e as condições da Campinas dos próximos 20 anos. Jonas avalia que se isso não ocorrer, o planejamento de Campinas vai manter o inaceitável jugo de decisões imediatistas, interesseiras, que consideram apenas o dia presente, sem cuidado do futuro. “Não vou permitir que isso ocorra”, afirmou. Jonas tem ouvido neste primeiro mês de mandato vários setores da cidade, buscando opiniões para melhorar a gestão urbana e conhecer o que pessoas e entidades pensam do futuro de Campinas.”

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Reflexão para definir as diretrizes

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Discussões têm de ser pautadas pelas demandas do desenvolvimento da cidade

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O diretor regional do Sindicato da Habitação (Secovi), Fuad Jorge Cury, também defende o planejamento urbano de longo prazo, porque segundo ele reflexão e debate constroem paulatinamente um consenso sobre as escolhas a serem feitas, as possibilidades e os limites de desenvolvimento possível e estimulam a ação conjunta em favor de um futuro desejado. Ele acredita o plano local de gestão da Macrozona 7, na região do Aeroporto Internacional de Viracopos, pode ser uma oportunidade interessante para se pensar em longo prazo. “Ficamos muito na discussão da transferência das famílias que estão na área. Temos que levar essa discussão do ponto de vista da cidade e não do aeroporto”, disse o arquiteto, que defende a elaboração de um plano urbanístico global para aquela região que implique em coesão social, desenvolvimento urbano, melhoria ambiental, mobilidade e oportunidade de negócios.
Não importa, segundo ele, se haverá remoção ou não de famílias, porque o entorno do aeroporto tem que ser destinado à logística. “Precisamos de um diagnóstico bem feito, porque o plano da macrozona está sendo feito em cima de empreendimentos já anunciados, sem levar em consideração os que ainda poderão vir e que querem segurança para isso”, afirmou. Se for necessário retirar famílias, disse, a primeira coisa é mostrar quais são as possibilidades de áreas para elas irem e dar estímulos. “Será caro fazer isso? Não será nada perto do que poderá ser arrecadado com as áreas no entorno do aeroporto”, afirmou.

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