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26
fev

Investimentos no Rio devem combater desigualdade social

O Arquiteto Urbanista Bernardo Secchi concedeu entrevista ao Jornal O Globo no Rio de Janeiro e enfatizou que os grandes desafios do Rio de Janeiro são a mobilidade e as questões ambientais, mas a desigualdade social deve ser igualmente combatida com as implantação das novas obras que prometem mudar a paisagem da cidade e coloca-la entre as mais bem planejadas do mundo.

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O Arquiteto Roberto Secchi é autor de projetos de renome mundial em metrópoles como Paris, Bruxelas e Moscou e estará participando do Seminário de Politica Urbana Q+50  “Arquitetura, Cidade, Metrópole – Democratizar Cidades Sustentáveis” que ocorre entre os dias dias 27 de fevereiro e 1º de março, promovido pelo Instituto de Arquitetos do Brasil.

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Arquiteto e urbanista italiano Bernardo Secchi

Arquiteto e urbanista italiano Bernardo Secchi

 

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Qual sua imagem do Rio, cidade que receberá, em 2013, o novo Papa, além de eventos mundiais neste e nos próximos anos?
O Rio é uma das maiores e mais importantes metrópoles do mundo, mas minha imagem é também a de uma cidade com grande desigualdade social. Favelas, de um lado, muitas vezes em lugares perigosos, e pessoas ricas de outro. No meio, italianos comprando apartamentos em Copacabana. Não estou certo de que os eventos podem resolver isso.

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A cidade passa por uma de suas maiores transformações urbanas. Os eventos de fato servem como alavanca para mudar uma cidade e a forma como vivem as pessoas?
A experiência europeia não é convincente. Em Barcelona, as Olimpíadas foram uma alavanca para mudar a cidade, enquanto em Atenas não. Em Londres, vamos ver. Com certeza os eventos vão atrair investimentos, mas eles também podem dar origem a uma grande distorção do mercado imobiliário.

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Os problemas de cidades que já planejou são semelhantes aos das cidades em desenvolvimento?

Fiz planos para Paris (França), Bruxelas (Bélgica) e Moscou (Rússia). Para mim existem hoje alguns problemas que são comuns a todas as grandes cidades e metrópoles, mas que assumem uma conotação diferente em cada uma. Em todas as grandes cidades, há problemas ambientais, de desigualdade social e de mobilidade. Esses são os principais e, juntos, definem o que chamo de “nova questão urbana”.

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O que essas cidades do primeiro mundo podem ensinar ao Rio?

Em primeiro lugar, que temos que pensar em longo prazo. Também temos que sair da ideia de que a economia está sempre dando uma “forma” para a sociedade e para a cidade. O espaço é que muitas vezes dá forma às relações sociais e à economia. Em terceiro, temos que levar em conta que são as pessoas que vivem na cidade é que têm uma verdadeira experiência dela.

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Com vistas aos grandes eventos, o Rio se tornou um grande canteiro de obras. É possível fazer tantas obras com prazo apertado preservando o meio ambiente? 

Um prazo apertado, em princípio, não é um verdadeiro obstáculo para a qualidade dos projetos e à preservação do meio ambiente. Obviamente, ambos são tarefas difíceis. É preciso haver um controle muito atencioso do que os promotores e investidores estão fazendo. O risco de uma catástrofe é um caso sério. Barcelona fez um trabalho muito bom. O Rio tem de ser melhor, o que não é tão fácil.

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As favelas cariocas também estão passando por intensas transformações. Além de receberem investimentos em infraestrutura, há movimentos de regularização de propriedades e de remoção. Como o urbanismo pode ser aplicado nas favelas?

Estudei as favelas de São Paulo. Minha conclusão foi a de que, em muitos casos, não é preciso demolir, fazer tábula rasa e construir um novo bairro. Muitas vezes, um projeto pode começar a partir do que está lá e melhorá-lo, com participação de moradores.

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O Rio hoje ainda é uma cidade em que o transporte é apoiado em ônibus e carros. Essa seria a oportunidade de reverter essa situação? Como?

Posso dizer que é importante dar prioridade aos transportes públicos, especialmente aos de superfície. Metrôs e trens são caros e precisam de muito tempo para serem construídos. O caso de Paris é um exemplo. Em 2008, contra o conselho das dez equipes internacionais que foram convocadas para estudar o modelo da metrópole do século XXI, foi proposto um novo metrô chamado Grand Paris Express. Agora, em 2012, eles descobriram que ele vai custar cerca de o dobro da previsão inicial e não estará pronto antes de 2040. Mas o cidadão não pode esperar três ou quatro décadas pelas soluções dos problemas de hoje.

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