IAB Campinas

Palácio da Mogiana

Os dois primeiros pavilhões construídos nos anos de 1890/1891 foram erguidos em alvenaria de tijolos, em estilo neoclássico. Segundo Pedroso: “As primeiras informações oficialmente registradas sobre o edifício constam do Relatório anual de 1909 (referente ao ano de 1908) da Companhia Mogyana de Estradas de Ferro e Navegação”. A primeira edificação teria sido “executada pela própria Companhia e, com o aumento do pessoal no escritório central e pela importância crescente da Mogyana, a ampliação e melhoria de sua sede tornaram-se imperiosas. Provavelmente este projeto foi visto pelo engenheiro-arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo, que fazia parte do quadro de funcionários desta companhia. Esvaziado por ocasião de um surto de febre amarela, o prédio foi entregue à firma Malfati & Massaglia para o término do edifício central onde localiza-se o Salão Nobre ou “Barroco”, decorado com pinturas assinadas por Michele Sanafore. Houve uma adaptação da fachada a um novo estilo, por volta de 1908”.

A partir de 1907 iniciaram-se os estudos de ampliação (ANUNZIATA) que em 1908 foram remetidos para Prefeitura municipal. Segundo Pedroso, este “projeto [fora] elaborado no próprio escritório da Via Permanente (..) executado pela firma Masini & Comp. e supervisionado pelos engenheiros Tobias Rabelo Leite e Rena Renaud entre os anos de 1909 e 1910” (PEDROSO)

Para Anunziata: “No decorrer de 1909, iniciam-se as obras (…) [permanecendo] intacto o primeiro prédio do Escritório Central durante a execução deste Pavilhão” e nesta ocasião “fica nítida a importância do Setor Administrativo para a Companhia Mogyana (…) [e] Com a conclusão do Pavilhão Campos Sales em 1910, as repartições, que estavam no prédio mais antigo da administração, são transferidas para a nova edificação, iniciando o processo de demolição do antigo Pavilhão General Osório para a construção de um novo Pavilhão General Osório no mesmo local, conforme relatório da própria Diretoria”

Nesta grande obra de ampliação e reconstrução, também “aconteceram reparos no bloco central, com troca e ampliação do forro de estuque por madeira reenvernizada, uma alteração no piso e a construção de banheiro externo ligando-o ao prédio principal por meio de plataforma coberta de vidro fosco” (PEDROSO).

Enfim, “Em 1912, o Pavilhão General Osório e Central estão concluídos e, neste mesmo período, acrescenta o conjunto de sanitários masculinos, bem como a varanda interna ligando a área externa a uma passarela” (ANUNZIATA)

Com a intensificação das atividades do setor administrativo, o Escritório Central construiria “no fundo do lote, um prédio de pavimento térreo, que comportasse o aumento da documentação gerada pelo Departamento de Correios e Telégrafos” (Anunziata). Segundo Pedrosos: “Em 1921 sabe-se que aconteceu uma reforma registrada em citação lacônica no relatório da Companhia:… ‘modificações em uma parte do edifício’”.

Nos anos 1950, em decorrência da implementação do Plano de Melhoramentos Urbanos, “a Prefeitura Municipal de Campinas conseguiu desapropriar o lado esquerdo da então rua Campos Sales, para ampliá-la e formar a avenida”, o que implicaria na demolição do “Pavilhão Campos Salles” em 1956. A Companhia que nesta ocasião já não mantinha no edifício sua diretoria, mas parte de seus escritórios, implementaria ações de adequação na tentativa de recuperar parte da área perdida e recompor a homogeneidade do edifício,

Segundo Anunziata: “Após a adequação da área para a demolição do Pavilhão Campos Sales, a ferrovia realizou um projeto em 1957, para a adaptação do prédio pelo lado esquerdo, criando um novo Pavilhão Campos Sales. O projeto previa que a fachada frontal se estendesse até o alinhamento da calçada e os fundos, e ocupasse parte do pátio interno”. O projeto não acontece em sua totalidade e em vários aspectos, pela “obrigatoriedade de construir outra edificação para sediar o escritório do Setor de Inativos” (ANUNZIATA).

Por fim, “Depois de tantas modificações, a construção tomou feições parecidas com o primeiro prédio de 1891, tendo um corpo central e o Pavilhão da Rua General Osório”, mas já num período de transformação profunda da companhia que em 1971 se veria incorporar pelo Estado de São Paulo na chamada Ferrovia Paulista S.A. (FEPASA) (ANUNZIATA).

Ficha técnica do patrimônio

  • Bem/Edificação: Palácio da Mogiana
  • Localização: Rua Visconde do Rio Branco, 468, Centro, Campinas, SP, CEP 13013-091.
  • Utiulização Original: Escritório Central da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro.
  • Tipologia: Estilo eclético com elementos neoclássicos.
  • Área Bruta: 1.450 m²
  • Arquiteto Responsável: Malfati & Massaglia (1891); Irmãos Masini Masini & Comp sob supervisão dos engenheiros Tobias Rabelo Leite e Rena Renaud (1910).
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