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10
dez

Complexo ferroviário central – por Maria Rita Amoroso

Assumir o Complexo Ferroviário Central retomando as negociações junto ao governo federal, negociações estagnadas desde 2010, foi uma das atitudes mais sábias desse governo do prefeito Jonas Donizette.

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A Revitalização do Centro de Campinas só conseguirá ser alavancada com a incorporação desse importante patrimônio ferroviário situado no coração de nossa cidade. Estamos falando de um patrimônio ferroviário único e completo ainda existente no Brasil, tombado em nível municipal e estadual que não pode ser desprezado principalmente por nós cidadãos campineiros que amamos nossa cidade e nossa história.

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Fico imensamente feliz em ver retomadas as negociações, que foram inclusive iniciadas por mim em 2010 quando tive a honra de convidar o presidente do IPHAN, na época Luiz Fernando Almeida, a vir a Campinas verificar a importância desse complexo ferroviário para a revitalização do Centro da cidade. Luiz Fernando se tornou naquele mesmo ano signatário na carta de intenções entre a Prefeitura de Campinas e o IPHAN se comprometendo na disponibilização de verbas federais para a restauração e formação de um museu ferroviário.

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Necessário dizer que para conseguir tais verbas era preciso a apresentação de projeto executivo para todo o complexo, o que na época não foi apresentado. Houve outra proposta em 2010 do arquiteto campineiro Evandro Ziggiatti feita através de um restauro conservativo dentro da área da Rotunda, onde se inseria a criação de uma escola de artes e música, projeto muito bem estruturado e que deveria ser retomado pela gestão atual, inclusive apresentado para apreciação pública, pois representa um avanço em relação ao uso do espaço mantendo suas características originais sem interferir e avançar no espaço existente.

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Também houve um projeto preliminar desenvolvido pelo arquiteto Jaime Lerner para o local onde se via a implantação de um conjunto formado com várias torres junto com intervenções pontuais nos barracões existentes tentando ajustar uma proposta de revitalização para o Centro, principalmente através da chegada do TAV, via subterrâneo.

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O projeto como mencionado alguns dias atrás pelo prefeito Jonas Donizette possui propostas interessantes e avançadas e poderá ser uma das mais importantes apresentadas até hoje, pois relaciona a ocupação dos barracões, a criação do museu ferroviário como proposto pelo IPHAN e principalmente, como concepção de projeto,
que é o estabelecimento de uma ligação entre os dois lados da cidade feita através de um grande projeto paisagístico dentro desta área.

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O que muitos esqueceram e que não se deram conta foram as consequências resultantes da implantação da linha férrea e também da posição frontal da estação ferroviária
que, ao voltar suas belas fachadas para o lado da cidade enriquecida pelo auge do café, acabou criando dois modelos de cidade por muitos anos segregados. A cidade
fabril com suas vilas operárias, do antigo matadouro, dos curtumes, lazaretos e cemitérios e a cidade da riqueza, da prosperidade, com bairros elegantes instituições
de ensino, belíssimas praças, forte e refinado comércio e também de nossa majestosa e imponente Catedral.

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Dividi-la novamente com torres seria voltar ao passado na segregação, pois apesar de estarmos tratando no momento de avaliar e trabalhar com uma cidade compacta e
adensada necessária para facilitar a mobilidade e outras razões que estão permeando inúmeras discussões, existem muitos lugares dentro de nossa cidade para se fazer
este adensamento, podendo liberar nosso belíssimo patrimônio deixando-o respirar imponente, podendo ser usufruído por todos, sem lados, (frente /fundos), feito com
um projeto integrado e que proporcione a todos mais vivência e cidadania e onde se privilegie a cultura, o lazer e a qualidade de vida.

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A atitude do atual prefeito é extremamente louvável, pois não apenas se propôs a proteger este belíssimo patrimônio cultural, mas dar fim ao processo de segregação deixado pela linha férrea, estabelecendo a ligação através de um projeto paisagístico e ambiental.

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Parabéns Jonas Donizette e ao secretário de Cultura Ney Carrasco. Esperamos que consigam trazer definitivamente para Campinas a posse deste complexo ferroviário e com o uso social e sustentável proposto.

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Maria Rita Silveira de Paula Amoroso - Arquiteta Urbanista




  • Maria Rita Silveira de Paula Amoroso é
  • arquiteta e urbanista, diretora de Patrimônio
  • IAB-Campinas, conselheira titular pelo
  • Sinduscon no Condepacc/Concidade/CMDU
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Texto publicado no Jornal Correio Popular em 05 de Dezembro de 2013, página A2.

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