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07
maio

Campinas retoma negociação de prédio histórico de museu

Prefeitura quer garantir a posse para investir na recuperação;
Companhia Paulista de Obras e Serviços (CPOS), empresa do governo estadual dona do imóvel, quer vender.

06/05/2015 | Maria Teresa Costa – Rede Anhanguera de Comunicação
teresa@rac.com.br

A Prefeitura de Campinas retoma este mês as negociações com o governo do Estado para ter a posse definitiva do edifício da antiga indústria Lidgerwood, onde funciona o Museu da Cidade, e poder, assim, recuperar o prédio, que tem sérios problemas de infraestrutura e está fechado para exposições. A proposta de reforma e restauro e adequação da edificação ao projeto museológico, que nunca foi implantado, será escolhido em um concurso nacional de arquitetos e todo o custo de recuperação da edificação, ainda não calculado, será bancado pela venda do potencial construtivo da edificação, informou o secretario municipal de Cultura, Ney Carrasco.
A Companhia Paulista de Obras e Serviços (CPOS), empresa do governo estadual e proprietária do imóvel, quer vender o prédio, mas ainda não estabeleceu um valor. Até hoje, o Museu da Cidade, que está sem seu acervo e usa o espaço para atividades de divulgação da cultura imaterial,ocupa aquelas instalações por um termo de cessão provisória obtido no ano passado e válido por dois anos. “Para podermos fazer o investimento necessário, precisamos de uma cessão de pelo menos 50 anos”, afirmou a coordenadora do museu, Adriana Barão.
Negociação
O secretário de Cultura disse que a Prefeitura vai tentar negociar a posse do prédio trocando eventuais dívidas tributárias que a CPOS tenha com a Prefeitura ou trocando a construção por algum prédio de propriedade do Município que a empresa possa ter interesse ou ainda, dependendo do preço, adquirir o imóvel.
Esse uso precário, que impede investimentos na recuperação, foi o responsável pelos danos provocados ao acervo do museu, que durante anos foi vítima de goteiras. O descaso com aquele espaço cheio de infiltrações e problemas no sistema elétrico, se arrasta há mais de dez anos, pondo em risco um rico acervo de mais de 7 mil peças, sem que haja intervenção para a recuperação de um dos patrimônios mais importantes do município.
Acervo
O Museu da Cidade tem em seu acervo cestaria e arte plumária, objetos e quadros do século 19. Há importantes peças do século 18, um tronco de escravos, liteiras e coleções de aquarelas de José de Castro Mendes que mostram a evolução da cidade.
Uma parceria com o Centro de Memória da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) permitiu, com apoio de Rosaelena Scarpeline, o treinamento de pessoa que esta se dedicando à preservação das peças, com limpeza, catalogação e acondicionamento do material. Sem uma reserva técnica no prédio, o acervo está sendo embalado depois de tratado e guardado em uma das salas da Estação Cultura. Só voltará ao museu quando o prédio tiver condições de abrigar o material, disse Adriana Barão.
Comodato
Entre os objetos que foram tratados, estão liteiras, peças mais antigas do século 19 que compõe o acervo do museu. Elas são representativas desse trabalho. Estavam embaixo de goteiras e, por isso, o couro e a madeira foram danificados. Foi feito um processo de higienização e hidratação pela equipe do museu.
Nesta semana, informou Adriana, foi firmado um termo de comodato com o Museu Universitário da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) e as peças ficarão em exposição, com previsão de captação de recursos para seu restauro em parceria com o museu universitário.
Criado há 23 anos 
Museu da Cidade foi criado em 1992 a partir da fusão do acervo de três museus que funcionavam no Bosque dos Jequitibás: Museu Histórico, Museu do Folclore e Museu do Índio. Seu objetivo é a preservação e discussão da memória e da história de Campinas e de seus diversos agentes sociais, resgatando as camadas populares como agentes da história. Isso porque, na antiga concepção, os objetos históricos eram aqueles das elites, enquanto os objetos das camadas populares pertenciam ao folclore ou ao indígena.
O prédio, que pertenceu a uma antiga indústria importadora de equipamentos agrícolas e industriais, fica em frente à Estação Ferroviária. A Lidgerwood funcionou em Campinas até 1922, mas uma década depois de implantada já começava a enfrentar problemas em decorrência da instabilidade econômica provocados pela febre amarela e pela concorrência de outra empresa, a MacHardy.
Novo dono
Em 1928, o prédio passou a pertencer à Companhia Paulista de Estrada de Ferro. Nessa adaptação do edifício para amplos espaços de armazéns e depósitos, o projeto original descaracterizou-se: foram removidos os andares e a chaminé e fechadas várias aberturas.
Nos anos 1980, o prédio seria demolido para abrir caminho para o segundo túnel que ligaria o Centro à Vila Industrial. Muitos protestos foram realizados, comandados pela entidade preservacionista Febre Amarela, que tinha à frente o prefeito de Campinas Antonio da Costa Santos (PT), assassinado em 2001, e o projeto acabou modificado para preservar o edifício.