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05
ago

Arquitetos discutem a revitalização do Vale do Anhangabau

A revitalização urbana do Vale do Anhangabaú, no Centro de São Paulo, foi um dos temas discutido na 148ª Reunião do Conselho Superior do IAB (COSU), que aconteceu entre os dias 29 de julho e 1º de agosto em São Paulo. Resolução proposta pelos departamentos São Paulo, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Amazonas, Rio Grande do Sul, Bahia e Mato Grosso do IAB recomenda à prefeitura paulista a realização de concurso público nacional para a escolha do projeto de requalificação do Vale do Anhangabaú, baseado em estudos metodológicos existentes.

Matéria publicada pela Folha de S.Paulo, no dia 25 de janeiro deste ano, diz que o projeto de reurbanização, desenvolvido pelo escritório do arquiteto dinamarquês Jan Gehl, é estimado em R$ 100 milhões. A proposta é criar uma grande “área molhada”, com fontes que podem ser ligadas e desligadas conforme o uso, ladeada por quiosques de comércio. (Clique aqui para ler a matéria da Folha).

A crítica dos arquitetos é que a Prefeitura pretende promover a revitalização de acordo com diretrizes de projeto elaboradas pelo escritório Jan Gehl, com posterior desenvolvimento de projeto executivo sem consulta pública e acompanhamento da população.

“O Vale do Anhangabaú é um espaço urbano único de lazer e de manifestações públicas no Centro de São Paulo, frequentado pelos paulistanos de todas as regiões e classes sociais. Sua concepção original é fruto de concurso público datado de 1981, organizado pelo IAB. Através de um novo concurso é possível tornar todo o processo mais transparente e democrático, além de garantir a qualidade da obra”, afirmou o presidente do IAB-SP, José Armênio de Brito Cruz.

O Núcleo São Paulo da Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas (Abap) também não está satisfeito com a forma como a administração municipal tem tratado o tema, que prevê a substituição completa do projeto paisagístico do Vale do Anhangabaú:

“O projeto do arquiteto Jorge Wilheim e da arquiteta paisagista Rosa Klias foi vencedor de concurso público e desenvolvido com rara qualidade, tanto de projeto como de execução. Ao longo dos anos, a municipalidade não fez a gestão e a manutenção que seriam desejáveis de forma constante. Os espelhos d’água há muitos anos não funcionam e não seria razoável trocá-los por outros. Outros espaços públicos da cidade têm carências imensas e, nesse contexto, o descarte completo do projeto do Vale do Anhangabaú também não se justifica financeiramente”, diz nota assinada pela coordenadora da Abap-SP, Francine Sakata.